Engenhos de captação de água

Picota

Picota tradicional

Picota tradicional

Engenho simples e tosco em madeira, existente há 5000 anos e que é originária da Mesopotâmia, outras fontes referem ser de origem romana, que servia para tirar água dos poços pouco fundos ou de vales, rios e ribeiras, para as regas.

picota ou cegonha é um aparelho de elevar água que, até muito recentemente, era usada de norte a sul do país. Hoje, restam algumas, essencialmente em poços, com pouco ou nenhum uso, que ainda resistem à popular moto-bomba.

Utilizadas por diferentes povos desde tempos muito recuados foi usual não só em Portugal mas também na Espanha, na França, na Grécia, no Egipto, e daí até ao Japão, sem quebra de continuidade.

De uma vara comprida que balanceia sobre uma forquilha está pendurado, de um lado, o balde que se mergulha na água. Do outro um contrapeso, vulgarmente de pedra, faz subir o balde cheio de água. A forquilha é geralmente de madeira. Mas na Beira Alta, onde intensamente se praticava a rega à picota, usam-se, a par da forquilha de madeira, um ou dois esteios de granito, mais baixos e mais largos que os da vinha, onde gira a vara que forma o balancé.

Engenhos deste tipo são já representados em antigas pinturas egípcias desde 1.500 a.C. podendo levantar água a mais de metro e meio. Na Babilónia, Mesopotâmia, o seu uso é mais antigo sendo já testado no terceiro milénio a.C.

Outro método usado para irrigar o campo, é o do picanço, uma técnica executada pelo homem que permitia tirar água com relativa facilidade dos poços e ribeiros baixando e levantando um balde preso no extremo de uma vara. Os açudes, muros de pedra construídos na ribeira ou levadas, serviam para reter, elevar e desviar a água destinada à rega, heranças árabes que contribuíram para a evolução da cultura de regadio um pouco por toda a parte. Na nossa região era conhecida por picota ou gaivota. Mas tinha outros nomes: Cegonha, balança, burra, picanço, saragonha, varola, zabumba, zangarela, bimbarra.

Nora

Nora

Nora

Introduzida pelos árabes, a Nora é um engenho ou aparelho para tirar água de poços ou cisternas. É constituída por uma roda com pequenos reservatórios ou alcatruzes em que o engenho está todo a descoberto e o animal trabalha num círculo à volta da nora, geralmente no sentido dos ponteiros do relógio, embora a da nossa quinta gire no sentido inverso.

As noras de tirar água são instrumentos fixos e circulares usados para captar a água do subsolo para, posteriormente, ser utilizada nas culturas de regadio.

Compostas por uma roda que faz mover a corda, ou cadeia metálica, a que estão presos alcatruzes – baldes que transportam a água – as noras mouriscas conduziam a água às partes mais elevadas dos terrenos cultivados. Estas eram accionadas por mulas, burros, machos ou vacas de trabalho que se deslocavam de olhos vendados num movimento circular à volta do engenho. Possui uma haste horizontal acoplada a um eixo vertical que por sua vez está ligado a um sistema de rodas dentadas. Este sistema faz circular um conjunto de alcatruzes entre o fundo do poço e a superfície exterior. Os alcatruzes descem vazios, são enchidos no fundo do poço, regressam e quando atingem a posição mais elevada começam a verter a água numa calha que a conduz ao seu destino. O ciclo de ida e volta dos alcatruzes ao fim do poço para tirar água mantém-se enquanto se fizer rodar a haste vertical e o poço tiver água.

Tradicionalmente as noras são engenhos de tracção animal. Estes engenhos vieram em muitos casos substituir a picota ou cegonha anteriormente utilizados como engenhos principais para tirar água na Península Ibérica onde se pensa que tenham sido introduzidos pelos árabes.

Moinho Americano

Moinho Americano

Moinho Americano

Este modelo de moinho americano (“702”) foi produzido a partir de 1933 e constitui-se no catavento mais fabricado de sempre, conhecido pela sua qualidade de construção, leveza e fiabilidade.

O nosso moinho americano esteve anteriormente a funcionar em Cascais na quinta do António da Horta, onde hoje funciona o Mercado, e foi adquirido por Armando Villar por volta de 1940.

Tem o mecanismo mais antigo que se conhece na zona de Cascais e arredores, sendo provável que seja anterior a 1900. Foi todo desmontado, metalizado, pintado e reparado, por um dos últimos reparadores de moinhos, o Sr. Raposo. Todas as peças são originais excepto os parafusos e porcas (que eram quadradas e não hexagonais) porque estavam de tal forma enferrujados que tiveram que ser serrados.